Navio, registrado em Comores como Elpis, está parcialmente carregado e foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025
Um petroleiro atravessou o Estreito de Ormuz na tarde desta segunda-feira (13), após a entrada em vigor do bloqueio imposto pelo governo Trump à navegação iraniana, segundo dados divulgados pela Kpler, uma plataforma de inteligência e análise de dados sobre fluxos comerciais globais.
O navio, registrado em Comores como Elpis, está parcialmente carregado e foi alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025 por seu "envolvimento na venda, compra e transporte de petróleo iraniano", como parte da frota paralela do Irã.
Por outro lado, um petroleiro registrado em Botsuana, o Ostria, retornou ao tentar atravessar Ormuz.
Apenas 41 minutos após o início estipulado por Trump para o bloqueio (11h, horário de Brasília), o navio mudou seu destino pretendido de Omã para os Emirados Árabes Unidos após dar meia-volta, de acordo com a análise da noticias sem censura dos dados de rastreamento de navios da Kpler.
Minutos após o bloqueio entrar em vigor, outro navio-tanque, o Rich Starry, transmitiu sua situação de estar "à deriva" na costa da ilha de Qeshm, aparentemente interrompendo sua viagem pelo estreito.
EUA detalham limites do bloqueio de Ormuz; pelo menos dois navios dão meia-volta
– O Exército dos Estados Unidos detalhou nesta segunda-feira os limites de seu bloqueio ao Estreito de Ormuz, dizendo que deve ser estendido para o leste até o Golfo de Omã e o Mar da Arábia, enquanto dados de rastreamento marítimo mostraram que dois navios deram meia-volta na hidrovia quando o bloqueio entrou em vigor.
Em um comunicado aos navegantes sobre o bloqueio, adotado na tentativa de retomar o controle do estreito do Irã, o Comando Central dos EUA declarou que ‘qualquer embarcação que entrar ou sair da área bloqueada sem autorização estará sujeita a interceptação, desvio e captura’.
‘O bloqueio não impedirá o trânsito neutro pelo Estreito de Ormuz com destino a ou proveniente de países não iranianos’, acrescentou o comando.
O bloqueio teve início nesta segunda-feira.
Dados do serviço de rastreamento MarineTraffic mostram que o navio-tanque Rich Starry, que partiu nesta segunda-feira do ancoradouro de Sharjah, na costa de Dubai, com destino à China, deu meia-volta minutos após se aproximar do estreito, assim como um segundo navio, o Ostria. Esses navios-tanque podem transportar petróleo e produtos químicos.
Dois petroleiros ligados ao Irã, no entanto, saíram do Golfo nesta segunda-feira pelo estreito antes do bloqueio previsto pelos EUA, segundo dados de navegação da Kpler e da LSEG.
O navio-tanque Aurora está carregado com produtos petrolíferos iranianos, enquanto o navio-tanque New Future transporta diesel do porto de Hamriyah, nos Emirados Árabes Unidos, mostraram dados da Kpler.
Eles estão entre pelo menos oito navios que transitaram pelo estreito nesta segunda-feira antes do bloqueio.
De acordo com a Kpler, um navio-tanque de produtos petrolíferos carregado em um porto dos Emirados Árabes Unidos e três navios de carga seca que partiram de portos iranianos saíram do estreito, enquanto dois navios-tanque de produtos petrolíferos paquistaneses e dois navios de carga seca entraram no estreito.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o bloqueio após o fracasso das negociações no fim de semana para encerrar a guerra de seis semanas entre os EUA e o Irã, fazendo com que os preços do petróleo voltassem a ultrapassar US$100 por barril.
O bloqueio aumenta a incerteza sobre como os navios vão transitar pela hidrovia, usada para movimentar um quinto dos suprimentos de petróleo e gás do mundo.
A nota militar dos EUA disse que o bloqueio deve incluir todo o litoral do Irã, mas remessas humanitárias, incluindo alimentos, suprimentos médicos e outros bens essenciais, devem ser permitidas, ainda que sujeitas a inspeção.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, disse a jornalistas que o bloqueio dos EUA deve estender a interrupção do tráfego de navios no estreito desde o início do conflito

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